domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates e o seu calcanhar de ouro

Quem foi Sócrates?

Ele foi um filósofo, também doutor e um poeta da bola, ele era um gladiador elegante de muitos coliseus, um gênio e cientista da inteligência, ele reinventou a democracia em uma nação em que era proibido se falar em democracia. Ele que nasceu com o nome de um filósofo grego, tem em seu nome “brasileiro”, um brasileiro e corinthiano de coração, um mito com seu calcanhar, que infelizmente a sua fraqueza foi o fígado. E Como o destino dos mitos é no Olimpo, hoje ele reside no monte Olimpo, de nossos corações e eternamente em nossos corações.


O Doutor tinha uma arma secreta, o seu calcanhar.
Nunca vi um calcanhar tão importante desde o calcanhar de Aquiles, um calcanhar desconcertante, no mágico momento que só o drible pode proporcionar, um calcanhar que era a sua arma nos campos de batalha do esporte bretão, tantas foram as emoções nos estádios, deixando todos ansiosos por um pequeno toque, aquele toque maroto, que só um artista e gênio poderia dar e surpreender, o esperado se tornava inesperado, o futebol era redimido por um calcanhar de ouro.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Algumas palavras sobre a arte do Yoga




O Yoga é a atividade física mais antiga que se tem registro, e se torna cada vez mais procurada pelas pessoas, principalmente em uma cidade do tamanho de São Paulo, que gera tantas doenças orgânicas, pois é sabido que por trás destas doenças há o emocional, como o estresse e a depressão. O ritmo está cada vez mais acelerado, e as pessoas não estão preparadas para este ritmo, a vida se tornou secundária, na qual não se tem tempo para nada e o mais absurdo é que não se tem nem alguns minutos para si mesmo. Aonde vamos parar?
O Yoga através das posturas corporais, dos exercícios respiratórios, e do relaxamento, elementos que compõe cada aula, fomenta efeitos que repercute na psique, pois seus efeitos é sentido por si e todos ao redor. Uma sociedade saudável precisa de pessoas com qualidade de vida melhor, e vivemos cercados por falsas facilidades do dia-a-dia, com estas falsas facilidades vai se perdendo a essência da vida que é viver.

A prática do Yoga que eu escolhi, entre tantas existentes, é uma prática dinâmica e moderna, sem perder a essência do Yoga milenar, unindo a uma prática terapêutica, pois a minha vivência no Yoga, ao longo destes vinte anos, é unir a sabedoria milenar da medicina indiana e a origem do Yoga que vem da cultura tântrica, aplicada aos nossos dias.

Vivemos em mundo mergulhado em crise, tanto no plano interno quanto no externo, e o Yoga mostra o caminho de maneira consciente para se transformar estas crises em oportunidades de vida, construindo assim uma sociedade saudável e harmoniosa, uma sociedade que respeita a vida.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Arrondissements de Paris

Os arrondissements de Paris correspondem a uma divisão administrativa que decompõe a comuna de Paris em vinte arrondissements municipais, que estão distribuídos segundo uma espiral que se desenvolve no sentido dos ponteiros do relógio a partir de um ponto central da cidade localizado no Louvre (1º arrondissement).

É assim que os números mais baixos correspondem a arrondissements mais centrais e números maiores a arrondissements mais distantes do centro.
Cada arrondissement é gerido por um conselho de arrondissement com funcionamento semelhante ao conselho municipal mas com poderes mais limitados.



1° arr. - Louvre
2° arr. - Bourse
3° arr. - Temple
4° arr. - Hôtel-de-Ville
5° arr. - Panthéon
6° arr. - Luxembourg
7° arr. - Palais-Bourbon
8° arr. - Elysée
9° arr. - Opéra
10° arr. - Enclos-St Laurent
11° arr. - Popincourt
12° arr. - Reuilly
13° arr. - Gobelins
14° arr. - Observatoire
15° arr. - Vaugirard
16° arr. - Passy
17° arr. - Batignolles-Monceau
18° arr. - Butte-Montmartre
19° arr. - Buttes-Chaumont
20° arr. - Ménilmontant


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cenas Paulistanas - Café da Manhã




Acordar cedo nunca foi o meu forte, mas o meu fraco é um bom café da manhã.


Tenho que confessar que a pressa para se chegar ao trabalho não permite que o café da manhã seja saboreado em casa. A solução encontrada é na rua, em qualquer lugar. Hoje em dia a cidade tem muitos ambulantes que aproveitam a oportunidade para ganhar algum, eles colocam a banca nas calçadas em pontos estratégicos, perto de alguma estação de trem ou metro e também nos terminais de ônibus, onde as pessoas ainda com pressa pagam e pegam o café com leite e uma gorda fatia de bolo, que pode ser de milho ou de cenoura, a passos largos vão para o trabalho, carregando em uma das mãos, o copo e na outra o bolo, tudo isto para não perder tempo.


Eu que sou adepto do “mais cinco minutos na cama”, sempre saio atrasado e o jeito é mesmo saborear o café da manhã fora de casa.


Outra opção mais tranquila para aqueles que não estão com tanta pressa é o boteco, onde você pode ter a sorte de ficar em pé no balcão, ou ter o luxo de se sentar, e pedir ao rapaz do outro lado do balcão, um “pingado”, que é o café com um pouco de leite, como se estivesse pingando o leite, virando assim o “pingado”, com tempo vem à intimidade de pedir para ele caprichar na “média”, que é um pão com manteiga aquecido na chapa, outro pedido sem usar a chapa é o “pão na graxa”.


Como na maioria das vezes, não consigo parar em um desses botecos, pois a pressa e a quantidade de pessoas são grandes obstáculos, senão me atraso ainda na minha entrada no trabalho.
As padarias em São Paulo é uma excelente pedida para aqueles que têm tempo de sobra para degustar um delicioso pão de queijo quentinho, um croissant simples ou de queijo, também tem o café expresso, o cappuccino, o chocolate quente, e os chás de inúmeras infusões. Algumas padarias são um sonho, realmente elas são maravilhosas seu rico Buffet, com sucos variados e frutas da época, quase um almoço.
A minha luta do dia-a-dia contra o tempo e o mau humor do chefe me faz com que eu fique apenas nos vislumbres de quem sabe um dia, acordar com tempo de sobra e me esbaldar em uma destas maravilhasas padarias.
Acredito que no topo dos cafés da manhã estejam alguns restaurantes, que são chiques e caros, eles estão além daquilo que eu posso sonhar, mas um dia na vida vale apena gastar um pouco mais, e economizar no almoço, porque com um café da manhã tão rico, nem precisaria de almoço, apenas um lanche à tarde.


Chego ao trabalho em cima da hora, sem tempo de parar e tomar um café da manhã. Já ia me esquecendo, na verdade deixei para o fim, de dizer que tem os serviços de entregas, que são feitos para aqueles que, como eu, que chegam sem tempo de parar, o jeito é ligar para algum estabelecimento e fazer o pedido.


Bom apetite!

domingo, 4 de setembro de 2011

Cenas Paulistanas - A praia dos paulistanos


São Paulo não tem praia, isso é fato, mas não é obstáculo para que as pessoas improvisem a sua praia. Os parisienses transformaram nas margens do rio Sena, uma pequena praia, aqui em São Paulo também não tem o Sena, mas temos o parque do Ibirapuera, a nossa praia.

Acordei e dei uma espiada pela janela, o dia estava lindo, com um céu azul, podia escutar os pássaros cantando na natureza, uma verdadeira celebração e eu não poderia ficar de fora. Notei que estava frio, mas nem tanto, com um "jeitão" de Primavera, não demorou muito e começou a subir a temperatura, se tornando Verão, mas é Inverso em São Paulo, ou fim do Inverno.
Aproveitei a subida da temperatura e a ausência da chuva, para ir a até o Parque do Ibirapuera, andar, ler e deixar fluir a vida.

Passei a mão no agasalho, pois nunca se sabe, o tempo em São Paulo costuma virar, sempre nos surpreendendo, pensamos que vai esquentar, esfria, e às vezes, nos parece que vai esfriar, esquenta.

Fui eu pelo caminho, rumo ao Ibirapuera, equipado do agasalho, do livro e da água fresca. A temperatura subira demais, dando inveja a qualquer dia de verão, entrou então em cena a água fresca, ela veio em um momento oportuno e aliviou o meu princípio de sede.

Não demorou muito até chegar ao Parque, fui cruzando ruas, contornando os canteiros de obras, pulando e tropeçando nas pedras e entulhos das calçadas mal acabadas, fui desviando das cadeiras dos restaurantes que são colocadas na calçada, que aos poucos vão invadindo o caminho daqueles que trafegam. Um verdadeiro estorvo. Já ia me esquecendo de citar que as calçadas estão diminuindo e as ruas vão aumentando dando prioridade aos automóveis. Andar para ir ao parque é uma verdadeira aventura urbana, apenas para tirar o estresse, a mesma que foi adquirida ao longo do caminho.

De longe eu conseguia ver o parque, e tive a sensação de que a população de São Paulo estava lá, juntamente com a população canina, uma verdadeira festa.

Mal entrei no parque e pude sentir as areias da praia de São Paulo, talvez a areia de uma construção que o vento trouxera.

Andei em busca de um cantinho.

Eu disfarçadamente fui observando as pessoas, e vi de tudo, pessoas com suas famílias, amigos, ou solitariamente com seus livros e água, meu caso. Pessoas corriam, com suas bicicletas, patins, skate e a pé. Uns carregavam violão para acompanhar o “pic-nic”, uma explosão de alegria, de todas as cores e tribos.

Andar por andar andei e de tanto selecionar um cantinho, encontrei uma frondosa árvore me convidando aos seus pés, antes verifiquei se não tinha crianças brincando de bola, não queria levar uma bolada.

Estava quente, mas a sombra da árvore aliviava, abri meu livro e me dei o presente de uma boa leitura, destas que nos transporta para além do mais além, fui ficando envolvido com a leitura e só fui tirado da minha abstração com uma sensação fresca na minha bochecha esquerda, estranhei o ocorrido, pois além de sentir o frescor, senti também um tanto áspera, olhei e levei um susto, era um cachorro que simpaticamente me deu umas lambidas, logo veio a sua dona em socorro do animal, um tanto envergonhada pedindo desculpas, mas com um leve sorriso que ela não pode conter pela cena engraçada.

Voltei à leitura deliciosa, antes sequei a minha face molhada pela baba canina.

O tempo estava realmente bom para passear no Ibirapuera, os ambulantes faturando, no sorvete e na água mineral, a criançada correndo, brincando, os casais exalavam paixão. Todos estavam contentes com a praia improvisada.

Fui tirado da leitura novamente, mas não por um cachorro beijoqueiro e sim pela queda da temperatura, senti na pele que era hora de voltar, estava esfriando, as pessoas estavam tomando o rumo de suas casas, sabiam que no dia seguinte seria segunda-feira, uma semana de trabalho os esperava para novamente voltar a sua querida praia, no fundo todos estavam felizes por um dia em sua praia paulistana, a mesma que a noite seria fechada.

É... a praia paulistana fecha todos os dia para manutenção.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nascimento de Ganesha em mim




Esta crônica foi escrita no dia de Lakshmi do ano de 2010, mas continua atual para mim.
O dia escolhido para entrar em comunhão com a natureza, foi exatamente quando estava se abrindo um portal na Índia, a entrada da prosperidade, dia da mãe divina Annapurna e Lakshmi, os aspectos da abundancia dos alimentos e da prosperidade material, para termos mais tempo e nos devotar a existência que podemos chamar de Deus.

Cheguei mais cedo e fui para o meu lugar habitual, perto dos músicos, perto do flautista, gosto de ficar escutando o som doce da flauta.

Coloquei em meu serviço o conhecimento da respiração, fiz para alcançar uma concentração maior, pois é muito importante e a todo instante somos tentados pelo ego, uma espécie de demônio interno, um tagarela, por isso é importante a concentração.

Chegada a hora, fomos convocados a tomar a Ayahuasca, nome quíchua de origem inca que significa VINHO DAS ALMAS, um psicoativo, e o seu efeito é enteógeno, que faz com que as pessoas vejam o divino dentro de si, na verdade ela abre e expande a consciência, na qual tudo fica muito claro, ou seja, para mim os sons ficam mais nítidos, o aroma é diferente, o colorido é outro, vem mais claramente o auto-conhecimento e da própria natureza.

Começamos a cerimonia com um mantra para Ganesha, aquele que tem a cabeça de elefante, toda cerimonia indiana começa com reverencia a ele, tudo que começamos nos fixamos a ele, sempre abrindo os caminhos. Tem vários mantras para Ganesha, o mantra que começamos é um mantra que fala da mãe e do pai de Ganesha, de Parvati e Shiva, a letra é em sânscrito, então tem que sentir com o coração para entrar nesta energia, pois o intelecto atrapalha todo o sentir, como eu disse anteriormente, nossa mente é muito tagarela, não respeita o silencio do coração.

Começadoo mantra, a Ayahuasca começou o seu efeito em mim, para cada pessoa tem uma maneira diferente de se manifestar, eu sinto um peso no corpo, o coração acelera, um sufocar, tristeza, alegria, frio, calor, medo e ao mesmo tempo muita liberdade, meu corpo fica em êxtase, como se estivesse tendo orgasmos múltiplos e infinitos, é tão forte e intenso que dá medo, vontade de dançar, cantar. Passado esta fase, geralmente vou para um passado que depois eu não me lembro muito bem, tudo muito familiar, como se estivesse anteriormente neste estado. Fui me deixando envolver na energia de Ganesha, porém a energia mais forte foi sentir a própria mãe de Ganesha, Parvati, na verdade eu entrei em contato com o arquétipo da mãe divina.

Senti o envolvimento amoroso para conceber Ganesha, um amor verdadeiro, de preparar a vida a partir da minha vida, das minhas células, das minhas energias. Senti a gestação de um ser iluminado dentro de mim, uma divindade respirando o mesmo ar que eu estava respirando, nutrindo a perfeição, eu era a perfeição, não tinha diferença entre eu e a minha gestação, tudo muito lindo e divino, mas tinha algo que nem mesmo a divindade pode deixar de sentir e eu acredito que seja o sentimento de todas as mães, o apego pelo fruto de si.

O amor foi tomando conta e com ele todo o apego de si no outro ser, mas o momento foi se aproximando e cada vez mais o não deixar este ser nascer foi tomando conta de mim, ele viria ao mundo e eu teria de conviver sem ele, ou com ele fora de mim, até então a energia que se fundira teria que se separar e a separação seria muito dolorosa.

O momento chegou e Ganesha, meu filho, corpo do meu corpo, meu próprio eu, teria que se separar de mim, deixar de ser eu, e ia se aproximando o momento e o momento chegou e com ele muito sofrimento para parir, não uma dor comum, mas no sentimento de separação, todo o universo pedia para que eu deixasse Ganesha nascer, a existência precisaria dele e eu teria de consentir este nascimento, eu hesitava, até que fui vencido pelo apelo da vida, senão eu e Ganesha morreríamos. Eu o deixei nascer e com ele, eu nasci junto, escutava que todos no universo cantavam com toda força e alegria jamais sentida por mim, Ganesha nasceu, o universo nasceu, a vida seria outra, a beleza seria outra, o amor nasceu e está junto comigo e com o universo, o bem, o amor, a vida venceu o mau, o egoísmo, o medo e a morte.

Cantei com tanta alegria o mantra que remove os obstáculos de minha vida, talvez tenha sentido o maior apego que existe na humanidade, que é o apego das mães pelos filhos, que não é apego na verdade é a vida devotada à vida.

Eu cantei: OM GAN GANAPATAYE NAMAH – Pedindo, suplicando, conectando com esta força para remover os obstáculos que eu coloquei em minha vida, meus apegos, meu egoísmo, deixei Ganesha nascer em mim, deixei Deus nascer em mim e deixar que Deus nasça em todos nós, removi os obstáculos de minha ignorância interna, deixando o amor finalmente vencer.

O amor sempre vence, sempre.

 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um dia para se guardar no coração


O dia não estava tão azul e o Sol vinha tímido visitar a cidade, a esta altura do dia, eu estava no parque da Aclimação, foi uma descoberta, o parque me convidou, me chamou e eu fui.

Fui me guiando pelo chamado ideal do coração, o parque estava escondido e na minha caminhada fui presenteado, uma surpresa para meus olhos acostumados com o cinza triste da cidade, pensei - São Paulo precisa do colorido da vida e ficamos cinza como a cidade, é necessário colorir a alma desta cidade, começando com a nossa.

Sai para colorir a minha alma. Tenho o hábito de caminhar, assim eu vou colorindo com os olhos da imaginação, o cinza fica colorido, o monótono fica colorido, não tenho uma preferência de cor quando vou colorir, tudo combina, o importante é o "colorir".

Me deixei colorir colorindo o que não tem cor.

O parque estava em tons verdes e um tapete roxo de flores caídas de arvores que predominavam no local, eu vi muitos pássaros e principalmente sabias de várias espécies, mas o que se destacava era o sabia laranjeira, eles estavam felizes de estarem exilados do cinza da cidade.

No centro do parque tem um grande lago de um verde profundo que nos convida a reflexão, olhá-lo de cima me permitiu ver o meu reflexo, me refletiu inversamente, bastava inverter para ver o meu verdadeiro reflexo, ver com os olhos da alma, porque com os olhos da mente não conseguiria inverter, acharia que é real o reflexo, mas é apenas um reflexo.

Com reflexo do lago de mim mesmo, fechei os olhos e pude ver um colorido mais vivo, de cores que nunca tinha visto antes, as cores dançavam ao som do vento e do canto dos pássaros, me juntei a esta dança, eu celebrei a vida e a divindade que existe, deixei por uma eternidade de um instante, na conta do ser humano, fui além, para dentro de mim, além de qualquer fronteira que eu pudesse imaginar, vi um reino mais vivo ainda, que as palavras seriam pobres para expressar tamanha beleza, lágrimas vieram expressar o sentimento que brotava em meu coração.

O breve se fez infinito, me veio uma estranha ausência, não comparei, não analisei, não coloquei rótulos, nem certo e nem errado, bom ou mau, os opostos se fundiram. Quando estamos no infinito a dualidade não está presente, apenas o SER impera.

Diante de tanta beleza, fui sentindo um arrepio e o infinito se fez breve novamente, ao retornar ao mundo das ilusões, ou seja este mundo que vivemos, na qual o verdadeiro é confundido com o falso e o falso é aceito como verdade, senti o peso do tempo. Quando voltei, a vivência parecia tão rápido que começou girar, fiquei com medo e com este sentimento fui expulso de mim mesmo pelos meus receios e ansiedades.

Abri os olhos. O colorido não estava mais lá com a mesma intensidade do meu mundo interno, queria voltar novamente, porém aprendi uma lição que vou carregar em meu coração - tenho que absorver todos os meus receios e só assim morarei definitivamente em meu NIRVANA interno, enquanto isto vou tendo pequenas vivências deste REINO, mas em algum dia, nem breve e nem remoto serei finalmente merecedor por direito daquilo que sempre foi meu e nada pode me tirar, pois faz parte de meu ser.

Hoje eu sei o caminho que leva a verdadeira morada do coração, o caminho é um só - A MEDITAÇÃO.

Namaste!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Meu amigo Cantuária


Nos anos oitenta, eu trabalhava em uma loja de roupas na Rua Barão de Itapetininga, perto da Praça da República, um lugar pitoresco que outrora era conhecido como a “boca do luxo”, perto da “boca do lixo”, mas na época em que eu trabalhava na “Barão”, era conhecida apenas como a “boca do lixo”, esta unificação das bocas era pelo fato do centro ter virado um lixo, um abandono dos políticos da cidade, pois a atenção era para outras regiões mais nobres da cidade.

O centro da cidade de São Paulo, além da poluição latente e o cinza que decorava os arranha-céus, outro grande detalhe era a notável pressa das pessoas, corriam para ir ao trabalho, corriam para almoçar, para lanchar e para ir embora, sempre estavam atrasadas, correndo atrás do tempo, suas vidas eram ajustadas com os ponteiros dos relógios, nunca tinham tempo para nada e deixavam a vida para depois.

Eu acabava me divertindo com as figurinhas carimbadas que por felicidade eu conhecia pessoalmente ou por observar. Desde aquela época eu tinha interesse nas crônicas desta cidade que não pára nunca.
Destas figurinhas carimbadas, me lembro com saudades de uma figurinha em especial, a de um amigo, ele era uma figurinha rara, destas figurinhas que só ouvimos dizer e que duvidamos que exista realmente. Ele um eletricista de mão cheia e seu nome Cantuária. O Cantuária, além de excelente profissional, era uma ótima companhia, gostava de um bom papo, ele, morador do bairro do Pari, vinha com várias estórias divertidas de sua juventude no bairro, mas nem tudo era divertido na vida deste amigo, ou na vida dos seus amigos.

Certa vez um outro eletricista, um grande amigo do Cantuária apareceu na loja e estava um tanto cabisbaixo e nos falou:
- Tenho uma notícia triste para todos.
Ficou o suspense no ar.

- O que foi? Todos falaram em uníssono.

- O Cantuária faleceu!

Todos ficaram comovidos com a notícia, logo o “Cantu”, essa era à maneira de seus amigos mais chegados o chamarem. Gostaria que os leitores entendessem, todos tinham o direito de morrer, mas o “Cantu” não.

A comoção foi geral, mesmo aqueles que não conheciam o Cantuária, ficaram tristes, pois ele era uma lenda viva, agora morta, na loja.

Recolhemos-nos em luto em memória do amigo “Cantu”, estávamos realmente tristes.

Lembro-me que o seu grande amigo, começou a fazer o trabalho da parte elétrica na loja.

Todos queria saber, quando e a causa do falecimento, mas infelizmente seu amigo, e digo mais, eles eram grandes amigos, não sabia nos dizer com detalhes, também soubera de terceiros o triste fato.

Passado um ano, todos na loja superaram a dor da perda de um amigo querido.

Um ano depois, às vésperas do natal, a loja abarrotada de pessoas, uma loucura, onde quem estava fora não entrava e quem estava dentro quase que não saia, e toda esta loucura era para comprar os presentes para os entes queridos. No ponto alto das vendas, quando estávamos todos ocupados em mostrar, embrulhar, cobrar e entregar as roupas, todos escutaram um grito.

- Meu Deus! Era o grito estridente da vendedora que ficava perto da porta, logo em seguida ela caiu desmaiada.

- Corremos para acudi-la e ela estava pálida, parecia ter visto um fantasma, e foi isso que ela falou apontando para a porta. Era o Catuária, o nosso “Cantu”, ou alguém muito parecido, um irmão gêmeo, um primo distante.

Criei coragem e fui perguntar a este senhor o quê ele desejava. Para meu espanto e felicidade, era o próprio, vindo do mundo dos mortos, ressuscitava naquele natal e estava nos visitando.

Ele veio cheio de alegria, era o velho Cantuária, mais vivo que muitos julgam estar, me deu um abraço e fui logo perguntando.

- É você mesmo ou um fantasma?

Era o velho “Cantu” vivo.

Contamos toda a estória e soubemos que aquele grande amigo do Cantuária, era um amigo da onça, ele tinha espalhado a morte do amigo em dezenas de lugares, para ficar com o trabalho do Cantuária, mesmo morto o “Cantu” zombava de nós e aquele seu “amigo” desapareceu, nunca mais foi visto, sempre que encontrávamos o Cantuária, relembrávamos o ano em que ele morreu, com esta estória cheguei a uma conclusão: amigos nunca morrem.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O fantasma da noite

Nunca tive o costume de acordar no meio da noite, nem mesmo para ir ao banheiro, poderia estar com fome ou mesmo com sede, não que eu tenha medo ou preguiça, era mesmo o sono pesado que me embalava em seus braços, um sono pesado que acabava sendo mais forte do que a minha força de vontade.

Certa vez em uma terça-feira gorda, véspera de feriado, não sei dizer ao certo se era um feriado religioso ou o dia da pátria, me lembro apenas de que era uma terça-feira de insônia, e fui assistir televisão esperando pelo sono pesado que não me vinha, quando menos esperava pestanejei mais forte, as pálpebras colaram e cai no sono, para em seguida acordar desnorteado, abrindo assim um dos olhos e estranhei, não sabia dizer ao certo onde estava, então levantei, e fui para o quarto, antes tive apenas o ímpeto de desligar a televisão e na escuridão da casa fui para o quarto cambaleando, sem perceber o rumo dos meus passos, que na verdade estava indo para cozinha, como o sono era mais forte não vi que tinha chegado a cozinha.

Abri um dos olhos, por pura preguiça de abrir os dois, e pude ver no canto do suposto quarto, algo branco arrastando, fiquei surpreso com a aparição, me parecia um fantasma, um fantasma mirim, um fantasma que rastejava, pensei logo que tipo de fantasma é este que rasteja? Uma alma penada? Quando dei conta deste ser, logo abri os dois olhos e fiquei atento para aquela aparição, logo eu que nunca levei muito a sério estas coisas de fantasmas.

Lentamente o fantasma ia para minha direção e eu continuava parado, parado sim, paralisado não, pois não estava com medo e sim surpreso com a minha visão, ele chegava cada vez mais perto de mim, e pude ver que era um pequeno lençol colorido, que fantasma é esse que vem todo colorido? Começou a me intrigar este fantasma, comecei a desconfiar da minha sanidade, talvez estivesse assistindo muita televisão, ou estava sonhando, lembrei-me de uma velha tática que poderia dar certo, um grande beliscão e assim acordar, me belisquei e não acordei, pois já estava acordado e muito bem acordado, mas nada evitava que a entidade viesse para mais perto, foi quando o lençol ficou preso aos pés do fogão e pude ver que o fantasma era sim a pequena Nina, a cachorrinha da casa, que dormia sempre enrolada em um pequeno lençol colorido e quando escutou que alguém estava na cozinha foi receber e nem percebeu que estava enrolada em seu lençol, sempre tivera o sono pesado, mas naquela terça-feira gorda ela saiu desnorteada para a cozinha e se assustou ao me ver desnorteado na cozinha em uma terça-feira gorda.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A escrita e o escritor


Todo dia é dia do escritor e da sua doce magia, a escrita.

Para mim ele é uma espécie de mago na sua arte, um alquimista da escrita, transmutando a realidade vivida pela realidade impossível, posso arriscar a dizer que ele é o maior responsável, pelo menos na minha vida, de soltar as amarras da imaginação.

O escritor tem a sua principal ferramenta, a sua inspiração, levantando a ponta da cortina, nos revelando um universo sem igual, se tornando um iluminado e às vezes um maldito, nos leva à miséria e ao maravilhoso, nos levando às lágrimas e vem a tona também a raiva escondida, nos faz amar e odiar nesta brincadeira que é o seu oficio.

Eu ficava sonhando quando me contavam as "estória de contos de fada" e outras fábulas. Na minha infância ficava ansioso para aprender a ler, até que finalmente aprendi a ler.

Quando eu era um craque da leitura, ninguém me segurava, lia tudo que aparecia na minha frente, anúncios, revistas e principalmente livros que faziam a minha imaginação voar.

Me divertia e aprendia muito com as aventuras de Tom Sawyer e a turma do Sítio do Pica-pau Amarelo. Aprendia principalmente que poderia conhecer o mundo através das linhas escrita por autores diversos, eu fui me tornando íntimos dos personagens e vivia com eles cada alegria e drama, me tornava cada vez mais amigo dos escritores.

Eram momentos mágicos que nada poderia pagar, momentos eternos que duram até hoje quando abro um livro e saiu viajando na literatura.

De tanto ler e reler, sonhar e viajar, meu coração foi se enchendo com esta magia e acabei fazendo as minhas crônicas, contos e textos, convidando a todos embarcar nesta viagem da escrita pelo seu escritor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um olhar distante do amor

‎"A medida do amor é amar sem medida"

Vitor Hugo

Fragmentos


A primeira vista, ela é vista de longe quando está perto.

A segunda vista perde-se de vista quando se está perto. Uma das telas da série Torre Eiffel, de Delaunay, de 1909


Robert Delaunay, nascido em 1885, foi um prolífico cubista francês que em sua obra madura evoluiu para o orfismo, uma das primeiras pinturas abstratas a se desenvolver a partir das pesquisas cubistas.

sábado, 30 de abril de 2011

Tem muito Azul

É bom saber voar, além do Céu, além do Mar.

Faz bem mergulhar, neste Céu, neste Mar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Além


...A vida é uma passagem apenas de ida, sempre além, além do mais além, mais distante do mais além e quando chegar no limite do mais além do além, verá que está em si, aí sentirá a alma e aí será um com Deus...


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Walter "ego" Franco.

Walter Franco reverbera no infinito, um ser atemporal, deslocado do seu tempo, ele está anos-luz.

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O raciocínio lento, O poço, pensamento, O olho, orifício, O passo, precipício.
Eu quero que esse teto caia.

Eu quero que esse afeto saia. Eu quero que esse teto caia.
Eu quero que esse afeto saia.

Em vermelho natural, Com gosto de água e sal, No rosto e no lençol, Misturando o bem e o mal.



domingo, 17 de abril de 2011

Primavera


Quando se percebe o transcender, percebe-se também que o conhecimento não existe e sim o conhecer, o verbo estará em sua vida, não terá a busca e sim buscar, não terá a descoberta e sim descobrir, não terá relacionamento e sim relacionar, tudo será verbo, começando no infinitivo e terminando no infinito. Deixei de usar o substantivo porque prende e fecha, o verbo liberta e abre.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Shiva Nataraja


Shiva Nataraja é o dançarino cósmico.
É a divindade criando, conservando e transformando, através de sua dança.
É o dançarino dando vida a dança e a dança dando vida ao dançarino.
Existimos nesta dança divina, na música harmoniosa do universo que ecoa no compasso da respiração, no ritmo do coração e na melodia suave do amor.

Vida



Simples é a vida, complexa é a vida.

Tão cheia de armadilhas e prisões. A vida é cercada de liberdade

A vida é cercada de doçura, e de amargor, plena de amor e ilusões.

A vida é uma tela em branco e sem propósito, na qual cada um pinta com a aquarela de cores que melhor lhe inspira.

A vida é a dança e o dançarino ao mesmo tempo, um não existe sem o outro, a vida não existe sem o SER e o SER não existe sem a vida.

Crepúsculo


Para mim a palavra ruptura é uma das mais belas, e a palavra acabar também está no mesmo nível.
Acabar para dar lugar ao novo, romper para a renovação vir, não tem outra maneira da renovação vir, senão encerrar o antigo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011




O Poeta Místico é bem diferente do poeta comum, pois ele transcende o fazer poesia do poeta comum, ele se torna a própria poesia, um salto para o desconhecido, para o abismo infinito da existência, podendo se ouvir dentro do próprio ser a melodia divina. Assim é Kabir um poeta místico, nos orientando o caminho para o Deus interior.

Kabir escreveu:


“Onde me procuras?
Estou contigo.
Não nas peregrinações ou nos ídolos,
tampouco na solidão.
Não nos templos ou mesquitas,
tampouco na Caaba ou no Kailash.
Estou contigo, ó homem
estou contigo.
Não nas preces ou na meditação,
tampouco no jejum.
Não nos exercícios Yogues ou na renúncia,
tampouco na força vital ou no corpo.
Estou contigo, ó homem, estou contigo.
Não no espaço etéreo ou no útero da terra, tampouco na respiração da respiração.
Procura ardentemen te e descobre,
em um instante único de busca.

Kabir diz: escuta com atenção! Onde está tua fé, lá estou.”
Kabir Das, poeta do norte da India, século 15, indicando o lugar onde Deus pode ser encontrado.




“Disse o Poder ao Mundo... Sois meu!
E o mundo o aprisionou em seu trono.
Disse o Amor ao Mundo... Sou teu!
E o Mundo lhe abriu todas as suas portas... “

Rabíndranáth Tagore"