segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um dia para se guardar no coração


O dia não estava tão azul e o Sol vinha tímido visitar a cidade, a esta altura do dia, eu estava no parque da Aclimação, foi uma descoberta, o parque me convidou, me chamou e eu fui.

Fui me guiando pelo chamado ideal do coração, o parque estava escondido e na minha caminhada fui presenteado, uma surpresa para meus olhos acostumados com o cinza triste da cidade, pensei - São Paulo precisa do colorido da vida e ficamos cinza como a cidade, é necessário colorir a alma desta cidade, começando com a nossa.

Sai para colorir a minha alma. Tenho o hábito de caminhar, assim eu vou colorindo com os olhos da imaginação, o cinza fica colorido, o monótono fica colorido, não tenho uma preferência de cor quando vou colorir, tudo combina, o importante é o "colorir".

Me deixei colorir colorindo o que não tem cor.

O parque estava em tons verdes e um tapete roxo de flores caídas de arvores que predominavam no local, eu vi muitos pássaros e principalmente sabias de várias espécies, mas o que se destacava era o sabia laranjeira, eles estavam felizes de estarem exilados do cinza da cidade.

No centro do parque tem um grande lago de um verde profundo que nos convida a reflexão, olhá-lo de cima me permitiu ver o meu reflexo, me refletiu inversamente, bastava inverter para ver o meu verdadeiro reflexo, ver com os olhos da alma, porque com os olhos da mente não conseguiria inverter, acharia que é real o reflexo, mas é apenas um reflexo.

Com reflexo do lago de mim mesmo, fechei os olhos e pude ver um colorido mais vivo, de cores que nunca tinha visto antes, as cores dançavam ao som do vento e do canto dos pássaros, me juntei a esta dança, eu celebrei a vida e a divindade que existe, deixei por uma eternidade de um instante, na conta do ser humano, fui além, para dentro de mim, além de qualquer fronteira que eu pudesse imaginar, vi um reino mais vivo ainda, que as palavras seriam pobres para expressar tamanha beleza, lágrimas vieram expressar o sentimento que brotava em meu coração.

O breve se fez infinito, me veio uma estranha ausência, não comparei, não analisei, não coloquei rótulos, nem certo e nem errado, bom ou mau, os opostos se fundiram. Quando estamos no infinito a dualidade não está presente, apenas o SER impera.

Diante de tanta beleza, fui sentindo um arrepio e o infinito se fez breve novamente, ao retornar ao mundo das ilusões, ou seja este mundo que vivemos, na qual o verdadeiro é confundido com o falso e o falso é aceito como verdade, senti o peso do tempo. Quando voltei, a vivência parecia tão rápido que começou girar, fiquei com medo e com este sentimento fui expulso de mim mesmo pelos meus receios e ansiedades.

Abri os olhos. O colorido não estava mais lá com a mesma intensidade do meu mundo interno, queria voltar novamente, porém aprendi uma lição que vou carregar em meu coração - tenho que absorver todos os meus receios e só assim morarei definitivamente em meu NIRVANA interno, enquanto isto vou tendo pequenas vivências deste REINO, mas em algum dia, nem breve e nem remoto serei finalmente merecedor por direito daquilo que sempre foi meu e nada pode me tirar, pois faz parte de meu ser.

Hoje eu sei o caminho que leva a verdadeira morada do coração, o caminho é um só - A MEDITAÇÃO.

Namaste!