Nunca tive o costume de acordar no meio da noite, nem mesmo para ir ao banheiro, poderia estar com fome ou mesmo com sede, não que eu tenha medo ou preguiça, era mesmo o sono pesado que me embalava em seus braços, um sono pesado que acabava sendo mais forte do que a minha força de vontade.
Certa vez em uma terça-feira gorda, véspera de feriado, não sei dizer ao certo se era um feriado religioso ou o dia da pátria, me lembro apenas de que era uma terça-feira de insônia, e fui assistir televisão esperando pelo sono pesado que não me vinha, quando menos esperava pestanejei mais forte, as pálpebras colaram e cai no sono, para em seguida acordar desnorteado, abrindo assim um dos olhos e estranhei, não sabia dizer ao certo onde estava, então levantei, e fui para o quarto, antes tive apenas o ímpeto de desligar a televisão e na escuridão da casa fui para o quarto cambaleando, sem perceber o rumo dos meus passos, que na verdade estava indo para cozinha, como o sono era mais forte não vi que tinha chegado a cozinha.
Abri um dos olhos, por pura preguiça de abrir os dois, e pude ver no canto do suposto quarto, algo branco arrastando, fiquei surpreso com a aparição, me parecia um fantasma, um fantasma mirim, um fantasma que rastejava, pensei logo que tipo de fantasma é este que rasteja? Uma alma penada? Quando dei conta deste ser, logo abri os dois olhos e fiquei atento para aquela aparição, logo eu que nunca levei muito a sério estas coisas de fantasmas.
Lentamente o fantasma ia para minha direção e eu continuava parado, parado sim, paralisado não, pois não estava com medo e sim surpreso com a minha visão, ele chegava cada vez mais perto de mim, e pude ver que era um pequeno lençol colorido, que fantasma é esse que vem todo colorido? Começou a me intrigar este fantasma, comecei a desconfiar da minha sanidade, talvez estivesse assistindo muita televisão, ou estava sonhando, lembrei-me de uma velha tática que poderia dar certo, um grande beliscão e assim acordar, me belisquei e não acordei, pois já estava acordado e muito bem acordado, mas nada evitava que a entidade viesse para mais perto, foi quando o lençol ficou preso aos pés do fogão e pude ver que o fantasma era sim a pequena Nina, a cachorrinha da casa, que dormia sempre enrolada em um pequeno lençol colorido e quando escutou que alguém estava na cozinha foi receber e nem percebeu que estava enrolada em seu lençol, sempre tivera o sono pesado, mas naquela terça-feira gorda ela saiu desnorteada para a cozinha e se assustou ao me ver desnorteado na cozinha em uma terça-feira gorda.
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